Teste de Caminhada de 10 Metros (10MWT)
O Teste de Caminhada de 10 Metros (10MWT) é uma medida simples de desempenho funcional utilizada para quantificar a velocidade de marcha em metros por segundo (m/s). Na prática clínica, ele permite documentar mobilidade, acompanhar evolução ao longo do tempo e complementar a avaliação funcional de pacientes com comprometimento neurológico ou sistêmico.
O desfecho principal do teste é a velocidade de marcha, calculada pela razão entre a distância efetivamente cronometrada e o tempo. Em protocolos padronizados, é comum utilizar um percurso total de 10 metros com trecho central cronometrado para reduzir a influência da aceleração e da desaceleração. Para acompanhamento longitudinal, a interpretação mais segura é comparar o paciente com ele mesmo entre visitas sucessivas, mantendo o mesmo protocolo de aplicação.
O que o teste avalia
- Velocidade de marcha em condição padronizada.
- Desempenho funcional relacionado à mobilidade e à capacidade de deambulação.
- Variações clínicas ao longo do seguimento, quando repetido nas mesmas condições.
Quando utilizar
- Na avaliação basal de pacientes com queixa de limitação funcional ou alteração de marcha.
- Em reavaliações periódicas, para documentar estabilidade, melhora ou piora funcional.
- Como medida complementar a escalas clínicas e outros domínios de monitoramento, especialmente quando o objetivo é acompanhar capacidade funcional de forma objetiva.
Materiais e preparação
- Cronômetro.
- Percurso plano e seguro, com demarcação clara do trajeto total e do trecho efetivamente cronometrado.
- Espaço adicional para aceleração e desaceleração, quando esse arranjo fizer parte do protocolo adotado.
- Registro prévio das condições do teste: velocidade habitual ou rápida, uso de dispositivo auxiliar, necessidade de supervisão e observações clínicas relevantes.
Como aplicar o 10MWT. Procedimento sugerido para uso padronizado na prática clínica.
- Explique o procedimento ao paciente e confirme qual condição será usada: velocidade habitual/confortável ou velocidade rápida.
- Delimite o percurso de forma padronizada. Em protocolos clínicos gerais, é comum usar 10 metros totais, com trecho central cronometrado para reduzir o efeito da aceleração e da desaceleração.
- Oriente o paciente a caminhar pelo trajeto conforme a instrução definida, usando dispositivo auxiliar habitual quando necessário.
- Cronometre o trecho efetivamente definido para medida e registre o tempo em segundos.
- Calcule a velocidade de marcha dividindo a distância cronometrada pelo tempo total.
- Registre o resultado em m/s, além das condições em que o teste foi realizado.
A literatura também descreve a aplicação em velocidade rápida e, em alguns protocolos, a realização de mais de uma tentativa. Se essas variações forem utilizadas, o mais importante é documentá-las com clareza e repetir o mesmo padrão nas avaliações subsequentes.
Registro e interpretação clínica. Itens mínimos para documentação e comparabilidade entre visitas.
| Item | Aplicação prática | Padronização longitudinal |
|---|---|---|
| Tempo cronometrado | Registre o tempo gasto no trecho padronizado efetivamente cronometrado, em segundos. | Mantenha o mesmo critério de início e término do tempo em todas as reavaliações. |
| Velocidade de marcha | Calcule a velocidade em m/s usando a fórmula distância cronometrada ÷ tempo (s). | Use sempre a mesma distância cronometrada e a mesma condição de marcha documentada: habitual/confortável ou rápida. |
| Condições do teste | Anote uso de bengala, andador, órtese, supervisão, pausas, calçado e sintomas durante o teste. | Repita, sempre que possível, o mesmo arranjo do ambiente, da instrução e do suporte utilizado. |
| Leitura clínica | Velocidades menores tendem a refletir maior limitação funcional. Mudanças seriadas ajudam a identificar tendência clínica. | Evite interpretar pontos de corte gerais como se fossem específicos para ATTR; priorize a comparação do paciente consigo mesmo ao longo do tempo. |
Interpretação clínica
O 10MWT deve ser interpretado como um marcador funcional complementar. Em medidas gerais de desempenho físico, pequenas mudanças da velocidade de marcha podem ser clinicamente perceptíveis, e mudanças mais amplas tendem a refletir alteração funcional mais relevante. No contexto da ATTR, esses valores devem servir apenas como referência contextual, e não como pontos de corte específicos.
Na prática, o valor do teste aumenta quando o protocolo é consistente entre visitas e quando o resultado é analisado em conjunto com sintomas, exame clínico e outros instrumentos de monitoramento neurológico e funcional.
Registro de avaliação. Registre a velocidade de marcha atual e compare com a avaliação anterior quando disponível.
Avaliações
| Data | 10MWT (m/s) | Δ vs anterior | Δ vs atual | Ações |
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Atual |
SRALab RehabMeasures Database: 10 Meter Walk Test; Bohannon RW. Age Ageing. 1997;26(1):15-19; Perera S et al. J Am Geriatr Soc. 2006;54(5):743-749.